23 de janeiro de 2014

Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da UFPel fará oficina no projeto do TSA

Na última sexta-feira, 17, o TSA esteve reunido com o NAUrb - Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas. O objetivo foi retomar a parceria de trabalho para que o Núcleo desenvolva oficinas no projeto que será realizado com as crianças a partir do dia 4 de fevereiro.
No encontro estiveram presentes a arquiteta e bolsista do NAUrb, Roberta Santa Catharina, a coordenadora do TSA, Aline Fonseca, os estagiários de Serviço Social, Jéssica Ávila e Patrick Nunes, e a estagiária de Jornalismo, Eduarda Lemes.
Roberta contou à equipe do TSA sobre as experiências do NAUrb com crianças, ressaltando uma atividade realizada com a aplicação do DRUP - Diagnóstico Rápido Urbano Participativo. O DRUP é uma metodologia de pesquisa utilizada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPel desde 2001 que consiste na aplicação de entrevistas semi-estruturadas com a finalidade de diagnosticar os problemas e os benefícios de dada localidade através da utilização de palavras.
Com as crianças a metodologia será adaptada. Teremos, então, a realização de um DRUPinho. Roberta conta que, ao invés de palavras, as crianças produzem desenhos e que através deles é possível trabalhar o lugar a partir do que é significativo para as crianças.
A oficina do DRUPinho tem previsão de ser realizada na segunda semana de atividades, nos dias 11 e 13 de fevereiro. Para saber mais sobre a parceria entre TSA e NAUrb, siga acompanhando o blog do TSA e o página do facebook: Trabalho Socioambiental Pelotas.

22 de janeiro de 2014

Dois novos projetos para 2014: Educomunicação em foco no TSA

Nos meses de fevereiro e abril deste ano, o Trabalho Socioambiental do SANEP iniciará dois novos projetos. Visando a continuidade do trabalho já iniciado com as crianças do bairro Santa Terezinha, com o projeto Jornaleco, o TSA reuniu a Prefeitura de Pelotas, através da Secretaria Municipal de Justiça Social e Segurança, a Pastoral da Criança e as Universidades Católica e Federal de Pelotas, através dos cursos de Serviço Social, Antropologia, Arquitetura e Jornalismo. O objetivo é que junto ao SANEP possa ser realizado um trabalho integrado com o intuito de propiciar a abertura de espaços dialógicos para o desenvolvimento social de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social que residem no entorno da Sanga das Três Vendas.

Os projetos
Para reiniciar as atividades com as crianças e adolescentes, o TSA utilizará o conceito e as metodologias da Educomunicação. A partir da criação de espaços participativos será estimulada a apropriação da técnica comunicativa, a fim de estimular a reflexão sobre os meios de comunicação na atualidade. As técnicas comunicativas que serão trabalhadas são as de jornal mural, que fará parte das oficinas realizadas com as crianças de seis a 12 anos, e a de rádio comunitária, realizada nas oficinas com adolescentes de 12 a 17 anos.

Jornal Mural
As atividades desenvolvidas com as crianças terão início no dia 4 de fevereiro e pretendem integrar as ações do TSA, das Universidades e da Prefeitura. A produção de um jornal mural – atividade geralmente desenvolvida em escolas – será combinada a demais atividades que visem o estímulo à criatividade e a imaginação das crianças. Considerando a faixa etária dos participantes da oficina, as atividades serão realizadas através da composição de cartazes com imagens e pequenos textos utilizando recortes de revista, desenhos, pinturas, colagens e demais técnicas que promovam o trabalho em equipe e a diversão.
A ideia é que as crianças possam ter nas oficinas momentos de lazer e de aprendizado, fazendo dos encontros um espaço para pensar o bairro e a comunidade numa forma divertida de produzir notícias. Os cartazes produzidos serão distribuídos pelo bairro nas Unidades Básicas de Saúde, escolas, igrejas e demais instituições do entorno. O jornal mural abordará temas referentes ao bairro e as relações sociais que se estabelecem no lugar onde vivem, partindo do que for significativo para as crianças.

Formação de Comunicadores Comunitários
A fim de estimular a capacidade e o potencial crítico dos adolescentes e jovens, a participação comunitária, a formação de grupos de jovens no bairro e a reflexão sobre o direito e a democratização da comunicação, o TSA estabeleceu uma parceria com o curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas para propor o projeto de formação de comunicadores comunitários no bairro Santa Terezinha.
O projeto tem por objetivo propiciar a apreensão da técnica radiofônica em oficinas direcionadas a adolescentes e jovens de baixa renda, estimulando a coletividade, a produção de conteúdo feita pelos próprios moradores do local e a reflexão sobre o papel da comunicação.
As atividades serão oferecidas para adolescentes de 12 até 17 anos em encontros semanais, com início no mês de abril. Segundo o professor e coordenador do curso de Jornalismo da UFPel responsável pelas oficinas, Ricardo Fiegenbaum, será trabalhada a técnica do rádio, com a utilização dos equipamentos necessários – microfone, computador, mesa de som etc. -, ao mesmo tempo em que serão discutidos os aspectos inclusivos e exclusivos da comunicação e as formas de participação social nesse processo.

Parcerias
As atividades serão coordenadas pela equipe técnica do TSA e serão realizadas no espaço destinado à Pastoral da Criança, na Minha Casa Rural, localizada na rua Santa Clara. A Pastoral oferecerá atendimento às famílias das crianças e adolescentes, principalmente às crianças de até seis anos e gestantes, visando à prevenção em saúde com medidas de segurança alimentar, fortalecimento de vínculos afetivos e encaminhamentos aos serviços de saúde e socioassistenciais. A Secretaria Municipal de Justiça Social e Segurança entrará como parceira dos projetos oferecendo o lanche para os participantes das oficinas. Já as Universidades participarão dos projetos acompanhando as oficinas e oferecendo atividades nas suas respectivas áreas de atuação.

26 de novembro de 2013

Audiência Pública debate a Lei da Mídia Democrática em Pelotas

A democratização da mídia foi tema da audiência pública que aconteceu ontem, 25, na Câmara de Vereadores de Pelotas. Abordando assuntos referentes a situação atual de oligopólios de comunicação no país e considerando a importância e urgência da pluralidade de vozes que deveria
m aparecer nos grandes meios, a Câmara de Vereadores de Pelotas, juntamente com a RadioCom e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) promoveram um debate acerca do tema, visando a apresentação da Lei da Mídia Democrática. Estiveram palestrando no encontro o integrante do Comitê Regional Pelotas do FNDC, Diames Brum, o jornalista da RadioCom, Marcelo Granada, os professores Ricardo Fiegenbaum e Patrícia da Cunha, da UFPel, e Renato Della Vechia, da UCPel, além dos vereadores Marcus Cunha, Ivan Duarte, Marcos Ferreira, Edmar Campos e Ademar Ornel.

Lei da Mídia Democrática
O Projeto de Lei da Mídia Democrática é um projeto de iniciativa popular que pretende ampliar a liberdade de expressão, entendendo que os meios de comunicação da atualidade não abrem espaço para muitos dos segmentos da sociedade. A proposta de Lei é que sejam verdadeiramente proibidos os monopólios e oligopólios na mídia brasileira (que já são proibidos por Lei), não se caracterizando isso como censura mas, sim, como garantia da pluralidade no conteúdo veiculado pela mídia, além da facilitação ao acesso às redes de comunicação de massa e a criação do Conselho Nacional de Políticas de Comunicação.
Para saber mais sobre o projeto de lei, acesse: http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/
Sobre os movimentos pela Democratização da Comunicação: http://fndc.org.br/

8 de novembro de 2013

Texto: "O direito à cidade", de David Harvey

Vivemos numa época em que os ideais de direitos humanos tomaram o centro do palco. Gasta-se muita energia para promover sua importância para a construção de um mundo melhor. Mas, de modo geral, os conceitos em circulação não desafiam de maneira fundamental a lógica de mercado hegemônica nem os modelos dominantes de legalidade e de ação do Estado. Vivemos, afinal, num mundo em que os direitos da propriedade privada e a taxa de lucro superam todas as outras noções de direito. Quero explorar aqui outro tipo de direito humano: o direito à cidade.
[...] Como em todas as fases anteriores, a expansão mais recente do processo de urbanização trouxe consigo mudanças incríveis no estilo de vida. A qualidade da vida nas cidades virou uma mercadoria, num mundo onde o consumismo, o turismo e as indústrias culturais e do conhecimento se tornaram aspectos importantes da economia urbana.
A tendência pós-modernista de incentivar a formação de nichos de mercado, nos hábitos de consumo e nas expressões culturais, envolve a experiência urbana contemporânea numa aura de liberdade de escolha – desde que se tenha dinheiro. Proliferam os shopping centers, cinemas multiplex e lojas padronizadas, as lanchonetes e as lojas artesanais. Temos agora, nas palavras da socióloga Sharon Zukin, a “pacificação pelo cappuccino”.
Até os empreendimentos imobiliários monótonos e insípidos dos subúrbios americanos, que continuam a dominar em algumas áreas, agora recebem um antídoto no movimento do “novo urbanismo”, que pretende vender uma réplica customizada da vida nas cidades. É um mundo em que a ética neoliberal de individualismo, acompanhada pela recusa de formas coletivas de ação política, se torna o modelo para a socialização humana.
Vivemos, cada vez mais, em áreas urbanas divididas e propensas a conflitos. Nos últimos trinta anos, a virada neoliberal restaurou o poder de elites ricas. Catorze bilionários surgiram no México desde então, e em 2006 o país ostentava o homem mais rico do planeta, Carlos Slim, ao mesmo tempo em que a renda dos pobres tinha estagnado ou diminuído. Os resultados estão indelevelmente gravados no espaço das nossas cidades, que cada vez mais consistem de fragmentos fortificados, condomínios fechados e espaços públicos privatizados, mantidos sob vigilância constante. Em especial no mundo em desenvolvimento, a cidade, como escreveu o urbanista italiano Marcello Balbo, está se partindo em fragmentos diferentes, com a aparente formação de “microestados”. Bairros ricos dotados de todo tipo de serviços, como escolas exclusivas, campos de golfe, quadras de tênis e segurança particular patrulhando a área 24 horas, convivem com favelas sem saneamento, onde a energia elétrica é pirateada por uns poucos privilegiados, as ruas viram torrentes de lama quando chove, e a norma é a moradia compartilhada. Cada fragmento parece viver e funcionar de forma autônoma, aferrando-se firmemente ao que conseguiu agarrar na luta diária pela sobrevivência.
Nessas condições, os ideais de identidade urbana, cidadania e pertencimento se tornam muito mais difíceis de sustentar. A redistribuição privatizada por meio de atividades criminosas ameaça a segurança individual a cada passo, provocando a demanda popular pela repressão policial. Até mesmo a ideia de que a cidade possa funcionar como um corpo político coletivo, um lugar dentro do qual e a partir do qual possam emanar movimentos sociais progressistas, parece implausível. Há, porém, movimentos sociais urbanos tentando superar o isolamento e remodelar a cidade segundo uma imagem diferente daquela apresentada pelas incorporadoras imobiliárias, apoiadas pelos financistas, as grandes corporações e um aparato estatal local com mentalidade cada vez mais influenciada pelos negócios.
O investimento capitalista na transformação das cidades tem um aspecto ainda mais sinistro. Ele acarretou repetidas ondas de reestruturação urbana através da “destruição criativa”, que quase sempre tem uma dimensão de classe, uma vez que são os pobres, os menos favorecidos e os marginalizados do poder político que sofrem mais com o processo. A violência é necessária para construir o novo mundo urbano sobre os destroços do velho.
Haussmann arrasou os velhos cortiços parisienses, usando o poder de expropriação do Estado em nome do progresso e da renovação cívica. Ele organizou deliberadamente a remoção
de grande parte da classe trabalhadora e de outros elementos indisciplinados do Centro da cidade, onde constituíam uma ameaça à ordem pública e ao poder político. Criou um desenho urbano no qual se acreditava – incorretamente, como se viu em 1871 – que haveria um nível de vigilância e controle militar suficiente para garantir que os movimentos revolucionários fossem dominados facilmente. No entanto, como Friedrich Engels apontou em 1872:
Na realidade, a burguesia tem apenas um método de resolver o problema da habitação à sua maneira – isto é, resolvê-lo de tal forma que a solução reproduz, continuamente, o mesmo problema. Esse método se chama “Haussmann” (...) Por mais diferentes que sejam as razões, o resultado é sempre o mesmo; as vielas e becos desaparecem, o que é seguido de pródigos autoelogios da burguesia por esse tremendo sucesso, mas eles aparecem de novo imediatamente em outro lugar (...) A mesma necessidade econômica que os produziu vai produzi-los no lugar seguinte.
[...] A urbanização, podemos concluir, vem desempenhando um papel fundamental no reinvestimento dos lucros, a uma escala geográficacrescente, mas ao preço de criar fortes processos de destruição criativa que espoliaram as massas de qualquer direito à cidade. O planeta como canteiro de obras se choca com o “planeta das favelas”.
[...] Um passo para a unificação dessas lutas é adotar o direito à cidade, como slogan e como ideal político, precisamente porque ele levanta a questão de quem comanda a relação entre a urbanização e o sistema econômico. A democratização desse direito e a construção de um amplo movimento social para fazer valer a sua vontade são imperativas para que os despossuídos possam retomar o controle que por tanto tempo lhes foi negado e instituir novas formas de urbanização. Lefebvre estava certo ao insistir em que a revolução tem de ser urbana, no sentido mais amplo do termo; do contrário, não será nada.

Leia o texto completo: http://bit.ly/13TZqqe

23 de outubro de 2013

TSA discute a supervisão de estágio

Tendo por objetivo a reflexão sobre o trabalho de levantamento de dados, que vem sendo desenvolvido desde o dia 11 de setembro no loteamento Santa Cecília, a equipe formada pela assistente social Aline Fonseca, as estagiárias Jéssica Ávila e Laura Vaz e o coordenador da pós-graduação do curso de Antropologia da Universidade Federal de Pelotas, Francisco Luiz Neto se reuniu na manhã de hoje, 23, na sede do TSA.
O encontro serviu como espaço para discussão e troca sobre as percepções individuais das experiências de cada um nas saídas de campo. A perspectiva da pesquisa etnográfica foi a base dos relatos da equipe que já conversou com mais de 15 famílias e realizou encaminhamentos que mediam o acesso da população às políticas públicas. O papel do pesquisador na comunidade também foi discutido, instigando a reflexão sobre as situações cotidianas que se colocam frente à pesquisa e sobre a posição do pesquisador na comunidade.